Os principais cortes dos vinhos Alentejanos com Rui Falcão

No início de setembro (sim, eu estou bem atrasado nos posts!), participei de evento organizado pela Comissão Vitivinícola Regional Alentejana com alguns dos mais tradicionais produtores de vinhos do Alentejo, dentre eles a Adega de Borba, Cartuxa, Herdade do Mouchão, Tapada do Fidalgo, Paulo Laureano Vinus, Tiago Cabaço Wines, e Cortes de Cima, todos importados pela Adega Alentejana, além diversos rótulos produzidos pela Herdade São Miguel, J. Portugal Ramos Vinhos, Quinta do Zambujeiro e Herdade Paço do Conde, que chegam aqui através de outras importadoras.

Vinhos do Alentejo 2013

Para mim, um dos grandes destaques foram os vinhos da Quinta do Zambujeiro, os quais ainda não conhecia. Trazidos ao Brasil pela Casa Flora, a vinícola está situada em Rio de Moinhos (Borba), a aproximadamente 170 Km de Lisboa, e possui 22 hectares de vinha, com idades entre 5 e 45 anos, em solos são predominantemente xistosos. Lá são produzidas principalmente castas portuguesas, dentre elas a trincadeira, aragonez, castelão (periquita) e touriga nacional, bem como uma pequena parcela de alicante bouschet, cabernet sauvignon e petit verdot.

Tive o prazer de provar 3 vinhos desta vinícola, todos muito elegantes e que se diferem tanto pelas uvas utilizadas em cada corte, mas principalmente pela evolução em complexidade. Com produção de no máximo 7.000 garrafas, o tinto Zambujeiro, um corte de cabernet sauvignon, touriga nacional, aragonez, trincadeira e alicante bouschet, do qual provei as safras de 2003 e 2005, estava simplesmente fantástico.

Zambujeiro Tinto 2005

Zambujeiro Tinto 2005

Durante o mesmo evento, participei ainda de uma prova dirigida pelo renomado jornalista de crítico de vinhos português Rui Falcão, cujo tema era  “Os principais cortes dos Vinhos Alentejanos”, e incluiu uma degustação de alguns dos principais rótulos elaborados nesta famosa região portuguesa. A aula do Rui é sempre um espetáculo à parte – didática, rica em detalhes e recheada de aprendizados.

Rui Falcão

O jornalista e crítico de vinhos Rui Falcão 

Mas vamos aos vinhos degustados!

1) Adega de Borba DOC Branco 2012 – Produzido pela Cooperativa de Borba, considerada a mais antiga do Alentejo, este corte de antão vaz, arinto e roupeiro tem cor amarelho palha com reflexos esverdeados e traz aromas de maça verde e abacaxi. Em boca é fresco, bastante agradável, e tem boa acidez, confirmando os aromas de frutas brancas e cítricas. Deve ir muito bem com frutos do mar ou com algum prato cuja preparação leve molho branco. O vinho é importado pela Adega Alentejana e custa em torno de R$ 45,00, com boa relação preço/qualidade.

Borba Doc Branco

2) Régia Colheita 2011 – Na minha opinião, a grande surpresa dessa degustação. Produzido pela CARMIM – Cooperativa Agrícola de Reguengos de Monsaraz, criada em 1971 e atualmente com cerca de mil associados, este branco leva antão vaz, arinto e a menos conhecida perrum, uva muito antiga que só existe no Alentejo. De cor amarelo dourado brilhante, possui aromas de abacaxi em calda e um defumado bastante agradável, talvez fruto da sua passagem por barrica usada. Um vinho de personalidade, é untuoso na boca, com médio corpo e final não muito longo. Com certeza uma boa companhia para alguns pratos de bacalhau. Este Régia custa R$ 41,00 na Casa Santa Luzia, uma excelente compra.

Régia Colheita

3) Herdade das Albernoas 2011 – Este tinto leve é o primeiro vinho da Herdade Paço do Conde, e leva aragonez, trincadeira e alicante bouschet. No nariz é bastante agradável, com aromas de frutas vermelhas em compota e especiarias. Na boca, além de uma boa expressão da fruta em compota, tem taninos presentes, mas que não agridem, e boa acidez. Vejo esse vinho no mercado (acredito que seja possível encontrá-lo no Empório Mercantil em Pinheiros) por volta dos R$ 35,00, que também é uma boa compra.

Herdade das Albernoas4) Reserva ACR Tinto 2009 – Outro corte de uvas tintas, desta vez da Adega Cooperativa de Redondo, feito com aragonês, trincadeira e alicante bouschet. De cor rubi muito viva, apresenta aromas intensos de frutas vermelhas em geléia e chocolate. Com estágio de 12 meses em barricas francesas e americanas, é concentrado, elegante e tem boa persistência. O preço fica em torno dos R$ 75,00 no mercado de São Paulo.

Reserva ACR

5) Herdade do Peso Colheita 2011 – Quem traz este tinto ao mercado é a gigante Sogrape, maior empresa vinícola de Portugal, que produz, em diversas regiões, desde o simples vinho Mateus Rosé até o famoso Barca Velha, passando por marcas como a Vila Régia, Grão Vasco, Offley e Sandeman. De cor rubi muito intensa e brilhante, o corte aqui é de aragonês, alicante bouschet e alfrocheiro e tem aromas de frutas vermelhas e negras, com notas balsâmicas. De corpo médio, é equilibrado, tem taninos presentes, boa acidez e persistência. Um vinho fácil de agradar, mas com um preço relativamente alto, R$ 108,00 na Zahil importadora.

Herdade do Peso Colheita

6) .Com 2010 – O próximo vinho é um velho conhecido nosso, sobre o qual já falei aqui neste blog, e que continua se destacando por sua excelente relação preço-qualidade. Produzido com as castas touriga nacional, cabernet sauvignon, aragonez e trincadeira, este .Com 2010 apresenta cor vermelho-rubi escuro e aromas de frutas vermelhas e negras maduras, e também de especiarias. Em boca é equilibrado, com taninos bem integrados, e média persistência. Custa em torno de R$ 45,00 no mercado brasileiro e inacreditáveis 3,00-3,50 euros em Portugal.

.Com

7) Herdade da Capela Reserva Tinto 2008 – Nosso último vinho é produzido pela Herdade da Capela com as castas aragonez, trincadeira e alicante bouschet e tem cor rubi com um aspecto visual já mais evoluído, puxando para granada. No nariz remete a frutas vermelhas mais maduras com um toque terroso e de baunilha. Em boca é equilibrado, confirmando os aromas de frutas maduras, e tem madeira muito bem integrada.

Herdade da Capela

Santé!

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La furia dos grandes vinhos espanhóis da importadora Peninsula

Participei de uma degustação promovida pela Peninsula, importadora especializada em vinhos das mais renomadas regiões da Espanha, com mais de 150 rótulos de vinhos e cavas. A degustação foi organizada pelo seu novo gerente comercial, Rodrigo Leme, e conduzida pelos simpáticos proprietários Javier Gabarain e Pepita Rodriguez. Dentre os excelentes vinhos degustados, estavam:

1) Cava Juvé y Camps Reserva de La Familia Brut Nature 2006 (R$ 160,00) – De cor amarelo palha, essa deliciosa cava traz aromas de frutas brancas e um leve tostado. Na boca é cremosa e apresenta excelente frescor e acidez, com elegância e boa persistência. Com 90 pontos do Robert Parker e 91 do Guia Peñin, é um cava do tipo Brut Nature e passa, em média, 36 meses na garrafa. Foi companhia ideal para o jamón ibérico importado diretamente pela Peninsula, um dos melhores que já provei.

Juvé y Camps

2) Pezas da Portela 2007 (R$ 179,00) – Produzido pela bodega Val de Sil, este branco de cor amarelo palha brilhante vem da denominação de origem Valdeorras e é feito somente com a uva godello, que ganha cada vez mais espaço entre os brancos espanhóis pela sua elegância e complexidade de aromas. Esse traz frutas brancas, pêssegos, ervas e um toque mineral. Com passagem de 5 meses em barrica de carvalho francês, na boca é denso, saboroso, e fresco, com elegante untuosidade.

Pezas da Portela

3) Abadia Retuerta Selección Especial 2008 (R$ 188,00) – Um corte de tempranillo (75%), cabernet sauvignon (20%) e merlot (5%) produzido pela bodega de mesmo nome, tem cor rubi violáceo e traz fruta muito presente e aromas de chocolate, pimenta, e leve mentolado. Com passagem de 18 meses em carvalho francês e americano, é agradável, fresco e redondo, com taninos finos e muito bem integrados. Esta safra recebeu 92 pontos do crítico americano Robert Parker.

Abadia Retuerta

4) Casa Cisca 2005 (R$ 361,00) – Produzido pela Bodega Castaño, esse belíssimo tinto é feito com 100% da uva monastrell na denominação de origem Yecla, passando 13 meses em barricas novas de carvalho francês e americano, com uma produção total de 18 barricas. Com 93 pontos do Guia Peñin, traz aromas de frutas vermelhas muito maduras, um agradável toque balsâmico, resinoso, couro, defumados e é muito equilibrado em boca, com taninos abundantes, mas muito redondos. Um vinho diferente, que pode não agradar a todos no primeiro momento, mas cresce bastante quando evolui na taça.

Casa Cisca

5) San Vicente  2007 (R$ 328,00) – Este tinto é o único vinho produzido pela Bodega San Vicente, localizada no município de San Vicente de la Sonsierra na Rioja Alta. De belíssima cor rubi brilhante, é feito com 100% da uva tempranillo peludo e traz aromas de frutas negras, baunilha e tostado, enquanto na boca é apimentado e mostra notas de especiarias e café. Com passagem de 20 meses em barricas de carvalho francês (90%) e americano (10%), é macio, muito equilibrado e persistente. Um vinhaço, daqueles para passar um bom tempo degustando com os amigos. Melhor ainda se acompanhado de uma paleta de cordeiro.

San Vicente 2007

6) Pago de Santa Cruz 2010 (R$ 448,00) – A Viña Sastre é quem produz, em baixíssima quantidade e com uvas de vinhedo único, este belíssimo tinto da denominação de origem Ribera del Duero. De cor púrpura, mostrando toda a sua juventude, traz aromas de cereja, minerais, especiarias e baunilha, enquanto na boca apresenta taninos ainda bastante presentes, mas de excelente qualidade. Com altíssimo potencial de guarda, já mostra muita elegância, e tem final longo e persistente.

Pago de Santa Cruz 2010

Santé!

Estrutura e expressão da Rioja no Muga Reserva 2007

O vinho: Muga Reserva 2007 (Bodegas Muga) 

O vinho de hoje eu degustei ao lado de grandes companhias e de um belo carré de cordeiro. Estamos falando do Muga Reserva, clássico vinho da Rioja, e que expressa muito bem as características da região. Elaborado com 70% de tempranillo, 20% de garnacha, e 10% de mazuelo e graciano, tem cor rubi brilhante, é intenso, e apresenta aromas de frutas negras, cedro, couro, e um leve toque balsâmico. Na boca é expressivo, mostra potência, equilíbrio e taninos aveludados, com bela persistência, e um tostado bastante presente. O vinho passa 6 meses em tonéis de carvalho americano, e posteriormente, mais 24 meses em barricas de carvalho americano e francês. Após engarrafado, descansa ainda por mais 12 meses nas caves da bodega. Realmente um belo exemplar da Rioja, que em se tratando de um reserva, possui um preço razoável em comparação aos seus concorrentes de mercado. A safra 2007 recebeu 91 pontos do Robert Parker.

Preço aproximado: R$ 95 (www.epice.com.br)

.Com 2010: sempre uma ótima relação preço qualidade!

No dia 25 de setembro, pelo segundo ano consecutivo, participei do evento Vinhos do Alentejo 2012, promovido pela Comissão Vitivinícola Regional Alentejana, onde pudemos provar diversos vinhos de altíssima qualidade, alguns já velhos conhecidos do público brasileiro, de produtores como a Casa Santa Vitória, Cortes de Cima, Herdade da Malhadinha Nova, Paulo Laureano, Herdade do Mouchão, Monte dos Cabaços, somente para destacar alguns.

No mesmo evento, participei também de uma palestra com o conceituado jornalista e crítico de vinhos portugueses Rui Falcão, que com excelente didática e conteúdo, nos presenteou com uma verdadeira aula sobre a região acompanhada de vinhos com fantástica relação preço/qualidade.

 

 

 

 

 

 

Hoje eu gostaria de comentar sobre um velho conhecido nosso, o .Com 2010, importado no Brasil pela Adega Alentejana e produzido por Tiago Cabaço, um dos mais promissores produtores alentejanos no momento, que produz desde vinhos mais joviais e modernos, a vinhos mais sérios, poderosos e sedutores, como o seu famoso .Blog 2009, considerado o melhor vinho tinto produzido no Alentejo na safra 2009, e eleito por Rui Falcão como um dos 10 melhores vinhos portugueses degustados em 2011. Todos os vinhos do Tiago Cabaço frutos do conhecimento da enóloga Susana Estéban, considerada uma das melhores do país.

Mas vamos ao vinho! Produzido com as castas touriga nacional, cabernet sauvignon, aragonez e trincadeira, provenientes de cepas com idade média de 9 anos, este vinho apresenta cor vermelho-rubi escuro e aromas de frutas vermelhas e negras maduras, e também de especiarias, com destaque para pimenta. Em boca é equilibrado, com taninos bem integrados, confirmando os aromas do nariz e com média persistência. Agradável, correto e fácil de beber, acho esse vinho uma excelente opção para o dia a dia, mas podendo também ser ótima companhia para pratos com carne vermelha. A um preço médio entre 35 e 45 reais, estamos falando de um vinho de excelente relação preço-qualidade! Ótima compra!

Santé!