Algumas curiosidades sobre o Top 100 da Wine Spectator

Em tempos de divulgação de diversos rankings envolvendo o mundo do vinho, comento hoje sobre alguns pontos interessantes relacionados à distribuição geográfica dos vinhos vencedores na eleição recentemente publicada pela Wine Spectator com os melhores de 2012.

Uma primeira questão reflete o suposto bairrismo da revista, já conhecido e bastante discutido por uma grande quantidade de enófilos e profissionais do setor. Estamos falando de uma publicação americana, que, apesar de teoricamente ser imparcial nas suas avaliações, continua a eleger uma grande quantidade de vinhos americanos como os melhores de cada ano. Não sei exatamente qual o peso de cada país nos mais de 17.000 vinhos provados em 2012, e acredito que eles realmente devam provar bem mais vinhos produzidos dos Estados Unidos, mas o fato é que, dos 100 melhores, nada menos que 32 vinhos vieram da terra do Tio Sam, incluindo representantes da Califórnia, Washington, e Oregon, com seus maravilhosos pinots. Nas posições seguintes mais relevantes vem a França, com 22 vinhos, a Itália com 16, a Espanha com 9, a Austrália e o Chile, ambos com 4 vinhos eleitos cada.

E essa predominância americana se repete se olharmos os vinhos eleitos como “melhor do ano” nos últimos 15 anos! De 1998 a 2012, dos 15 vencedores, 7 são dos Estados Unidos, 4 são franceses, 3 são italianos, e 1 vem do Chile. Nesse mesmo período, a maior pontuação recebida por um dos vencedores foi atribuída a um vinho doce, o Château Rieussec Sauternes 2001, que obteve a nota máxima de 100 pontos em 2004.

Por outro lado, esse ano tivemos alguns acontecimentos interessantes, tais como:

  • A eleição de 4 vinhos do Chile, que já esteve no topo com o famoso Clos Apalta, mas que em 2011 não havia elegido nenhum representante;
  • A Argentina emplacou um vinho nos 10 melhores pela primeira vez desde pelo menos 2002, o excelente Achával-Ferrer Finca Bella Vista 2010;
  • Dos 16 vinhos italianos, 4 são produzidos fora das regiões da Toscana e do Piemonte, sendo um Nobile di Montelpuciano, um branco do Vêneto produzido com a uva garganega, um tinto produzido na região de Irpinia com aglianico, e um outro branco produzido com a uva greco di tufo por Antonio Caggiano e importado pela Casa Flora. Isso para mim é muito bem-vindo e nos estimula a sempre conhecer novas regiões produtoras;
  • A presença de somente 1 vinho da Borgonha na lista dos 22 vinhos franceses. Entretanto, revisando um pouco as listas dos 10 melhores desde 2002, vi que a região praticamente não está representada, ao contrário do que acontece com o Rhône.

Por fim, é sempre bom lembrar que estes rankings, apesar de ótimos guias, devem ser sempre utilizados com muita moderação! Santé!

Clique na figura abaixo e veja a distribuição dos 100 melhores vinhos por país de origem, bem como os 10 melhores de 2002 a 2011 e os vencedores desde 1988!

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